[Opinión] Lesbianidade e resiliências cotidianas

Imagen cortesía de la autora

Por Larissa Silva, Brasil

Texto en portugués y español

 

Iniciar e ensaiar reflexões sobre as condições de existência diária de uma mulher lésbica, a tentativa de mergulho em conseguir compreender toda pequena batalha travada em cada passo dado é um esforço continuo e necessário à minha própria sobrevivência, para que eu siga entendendo minha importância para mim mesma, inclusive.

Há algumas semanas atrás, li uma publicação[1] da companheira J-LO Borges, artista, grafiteira, militante, historiadora e educadora, que além de ser lésbica é também negra, agregando assim em seu corpo outros marcadores que historicamente acabam por atribuir vulnerabilidade as violências diante da sociedade heteropatriarcal e misógina. Nesse escrito ela incitava ao pensamento sensível e crítico partindo da frase “e se você fosse uma sombra?”

A leitura desse texto trouxe em mim uma série de reverberações, muitas das quais já vinham se desenhando em meus dias, e outras que já me esforçava para não observar talvez por medo dos apagamentos sofridos constantemente quando apresentamos a pauta da lesbianidade e a centralidade que atribuímos à reflexão do tema.

No 8 de março deste ano, algumas companheiras resolvemos ir juntas e organizadas de maneira alinhada à Coletiva Visibilidade Lésbica (coletiva que há alguns anos vem trabalhando e organizando muitas mulheres lésbicas com o intento de reunião de nossas memórias, lutas, cultura e resistências) às manifestações do dia internacional de luta das mulheres aqui no Rio de Janeiro. Portando stencils, cartazes e uma faixa em que inscrevemos “morte por lesbofobia também é feminicídio” tínhamos como objetivo pautar nossas visibilidades, contribuir na publicização das violências e mortes recentes por lesbocídio de algumas companheiras. O evento era aparentemente propício, um dia de luta das mulheres parecia a oportunidade perfeita para agregarmos mais força a nossa organicidade.

No entanto, ainda na concentração do ato, um homem, branco, antigo de militância e carregado de seus óbvios privilégios abordou a uma de nós que distraidamente amarrava os sapatos há alguns passos de distância das outras companheiras com um questionamento: “o que é lesbofobia? Essa palavra não existe! Não se usa uma palavra como essa em uma faixa, num ato!”

E assim, no único dia do ano dedicado às pautas de luta das mulheres, mais casos de lesbofobia e apagamento lésbico seguiram ocorrendo, como se aquele também não pudesse ser um espaço para nós. Como se mais uma vez um recado estivesse sendo dado e nem como sombras poderíamos aparecer, ou para que as nossas sombras pudessem ser consideradas precisariam ainda ser cada vez mais opacas. Uma mensagem clara me ecoava nos sentidos: desencantem-se ainda mais, obscureçam-se, interrompam-se imediatamente, pois não há espaços para lésbicas.

Amar outras mulheres, e praticar um continuum de afetividade que desconsidera a masculinidade em uma sociedade heteronormativa e patriarcal segue como ato de resiliência (para não ser uma sobre-vivência, ou existência num pós morte) cotidiana, em que muitas vezes acabamos por nos opacizar. Há dias em que o Sol simplesmente não aparece, sair as ruas e conviver em outros ambientes é enfrentar um campo minado de batalhas, em que nós nos sentimos claramente enfraquecidas e fragilizadas, sem a chance de aparecer nem como rascunho opaco.

Por isso, cada dia em que praticamos o afeto entre mulheres e a visibilidade e centralidade entre nós mesmas, abrimos progressivamente as cortinas para receber um pouco mais de energia e seguir os rumos, continuar sentindo substancia de vida em nós. E que seja então essa uma vitalidade impulsionada pelo ginoafeto e nutrição de nossas forças. Lesbofeministamente  parafrasearia aquela corrente palavra de ordem, que sejamos por nossa força e por nossa voz, cada vez mais “nós por nós”.


Iniciar y ensayar reflexiones sobre las condiciones de la existencia diaria de una mujer lesbiana, así como profundizar para entender cada pequeña batalla trabada a cada paso, es un esfuerzo continuo y necesario para mi supervivencia, incluso para entender mi propia importancia.

Hace unas semanas leí una publicación de compañera J-LO Borges, artista, grafitera, activista, historiadora y educadora, que además de ser  lesbiana también es negra, lo que añade a su cuerpo otros marcadores que terminan asignando históricamente violencia y vulnerabilidad ante de la sociedad heteropatriarcal y misógina. En ese escrito ella incitaba al pensamiento sensible y crítico partiendo de la pregunta: “¿y si usted fuera una sombra?”

La lectura de este texto trajo en mí una serie de reverberaciones, muchas de las cuales ya se venían dibujando en mis días, y otras que me esforzaba para no observar, tal vez por miedo a las invisibilizaciones sufridas constantemente cuando presentamos la pauta de la lesbianidad y la centralidad que atribuimos a la reflexión del tema.

El 8 de marzo pasado, algunas compañeras acordamos ir juntas y organizadas a las manifestaciones del día internacional de lucha de las mujeres aquí en Río de Janeiro, de alineadas a la Colectiva Visibilidad Lesbiana (colectiva que hace algunos años viene trabajando y organizando a muchas mujeres lesbianas con la intención de reunir nuestras memorias, luchas, cultura y resistencias).

Llevamos esténciles, carteles y una banda con la frase: “la muerte por lesbofobia también es feminicidio”. Nuestro objetivo era orientar nuestra visibilidad, contribuir a denunciar la violencia y las muertes recientes por lesbocidio de algunas compañeras. El evento era aparentemente propicio, un día de lucha de las mujeres parecía la oportunidad perfecta para agregar más fuerza a nuestra organicidad.

Sin embargo, aún dentro de la concentración del acto, un hombre, blanco, con trayectoria militante y cargado de obvios privilegios abordó a una de nosotras, quien distraídamente se ataba los zapatos a unos pasos de las otras compañeras y la cuestionó: “¿Qué lesbofobia ? ¡Esa palabra no existe! ¡No se usa una palabra como ésa en una banda, en un acto!”.

Y así, en el único día del año dedicado a la de lucha de las mujeres, seguirán ocurriendo más casos de lesbofobia y supresión lesbiana, como si aquel tampoco pudiera ser un espacio para nosotras. Como si una vez más nos enviaran un mensaje y ni como sombras pudiéramos aparecer, o para que nuestras sombras pudieran ser consideradas necesitarían todavía ser cada vez más opacas. Un mensaje claro resonaba en mis sentidos:  desencántense aún más, obscurézcanse, interrúnpanse inmediatamente, pues no hay espacios para las lesbianas.

Amar otras mujeres y practicar un continuum de afectividad que desconsidera la masculinidad en una sociedad heteronormativa y patriarcal sigue considerándose como acto de resiliencia (para no ser una sobrevivencia, o existencia post muerte) cotidiana, en que muchas veces acabamos por opacarnos. Hay días en que el sol simplemente no aparece, salir de las calles y convivir en otros ambientes es enfrentar un campo de batalla minado, en que nos sentimos claramente debilitadas y frágiles, sin la oportunidad de aparecer ni como borrador opaco.

Por eso, cada día en que practicamos el afecto entre mujeres y la visibilidad y centralidad entre nosotras mismas, abrimos progresivamente las cortinas para recibir un poco más de energía y seguir los rumbos, continuar sintiendo substancia de vida en nosotras. Y que sea entonces esa una vitalidad impulsada por el ginoafecto y nutrición de nuestras fuerzas. Lesbofeministamente parafrasearía aquellas palabras que dicen que seamos por nuestra fuerza y por nuestra voz, cada vez más “nosotras por nosotras”.

 

Referencia:

[1] Link para publicação referenciada de J-LO Borges: https://www.mariellefranco.com.br/blog/se-voce-fosse-uma-sombra-visibilidade-lesbica

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